No boteco

Lançamentos do “Labirinto do Tágico”

Alguns lançamentos já confirmados:

O lançamento oficial ainda será divulgado. Aguardem…

I Colóquio Internacional Michel Foucault: A judicialização da vida.

5, 6 e 7 de outubro de 2011, na Uerj.

http://foucaultjudicializacao.com.br/

 

Seminário Caleidoscópio: Facetas da arte na educação III

17 e 18 de outubro no Iserj (Rua Mariz e Barros, 273 – Tijuca – Rio de Janeiro)

O lançamento será no dia 18 às 19h.

Com noite de autógrafos e a apresentação da  Performance dos alunos da disciplina  
MOVIMENTO E EXPRESSÃO CORPORAL:
"No labirinto das palavras, a transgressão da loucura"

 

VII Colóquio Internacional Michel Foucault – PUC/SP

O Mesmo e o Outro. 50 anos de História da Loucura (1961-2011).

24 a 27 de outubro de 2011, na PUC-SP.

http://www.coloquiofoucault2011.com.br

 

V Encontro de História da Uniabeu.

8 de novembro às 19h. Na Uniabeu (Rua Alberto Gonçalves Filgueiras, 553, Nilópolis)

 

II Colóquio Nacional Michel Foucault: o governo da infância

12 a 14 de dezembro de 2011, na Universidade Federal de Uberlândia/MG.

http://www.cnmf.faced.ufu.br

04/10/2011 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

Sai do forno o “Labirinto do trágico”

É com imensa alegria que apresento aos frequentadores deste boteco, em primeira mão, o meu livro “Labirinto do trágico: Foucault e a experiência da loucura” (Rio de Janeiro: Achiamé, 2011).

O livro pode ser adquirido no site Estante Virtual:

http://www.estantevirtual.com.br/q/Labirinto-do-tragico

Ou diretamente com o autor (entrega a combinar):

marcio.salles@hotmail.com

Em breve, divulgarei as datas e locais de lançamento.

Seguem alguns trechos do livro e do belo prefácio da Vera Portocarrero:

“A linguagem da loucura possui seus próprios códigos que a lançam num silêncio absoluto, que significa a dissolução do sentido. Em outras palavras, trata-se de uma linguagem muda. O ser da linguagem se define pelo não-ser, ou seja, pela ausência, pelo vazio que o constitui”.

 

“É a expressão da loucura em seus valores trágicos que, devido a seu caráter subversivo, transgressivo e contestador, constitui uma estratégia de escape do poder exercido pela razão”.

 

“Foucault pensa numa linguagem que, ao invés de legitimar o saber, seja capaz de contestá-lo; uma linguagem que não seja a síntese dos contrários, mas que conserve os opostos e suas duplicidades; uma linguagem enfim vazia de sentido metafísico e que não seja outra coisa senão a repetição de si mesma. Repetir-se é projetar-se na multiplicidade dos sentidos e da diferença”.

 

“Pensar experiências é também experimentar. É ensaiar uma aproximação com o impensado que é o núcleo da experiência”.

 

“Este estudo sobre a experiência trágica da loucura como labirinto do trágico, que é uma experiência da linguagem, contribui para o esclarecimento e a proposta de um modo de pensar e de escrever no qual as palavras são concebidas como reverberações de vozes como as de Nietzsche, do sobrinho de Rameau, de Blanchot, de Bataille, de Sade, de Bosch, de Dom Quixote; vozes, como afirma o autor, que surgem dos arquivos, dos quadros, do imaginário, formando um aglomerado, uma orgia linguística, que não cria uma verdade, mas uma imagem, não a plenitude de um sentido oculto, mas aquilo que constitui a imagem mesma da linguagem, ou seja, seu vazio. A imagem desta polifonia seria a de uma espécie de nuvem multiforme que vai criando desenhos seriais, um a partir do outro.

Sem dúvida, este livro Márcio Sales não é para ser lido como uma análise das representações da loucura nem como mais um livro de história da filosofia onde o pensamento de Foucault ou o de Nietzsche aparecessem dissecados por um especialista de uma corrente filosófica ou de um autor. É, antes, um exercício de um movimento livre cuja pretensão é a de se constituir como mais uma voz dispersa na pluralidade desta polifonia a nós oferecida”. Vera Portocarrero 

22/09/2011 Posted by | Uncategorized | 10 Comentários

Labirinto do trágico

 

 

 

 

 

Neste mês de setembro sai o meu livro “Labirinto do trágico: Foucault e a experiência da loucura”.

É um livro que passeia por diversos temas: a loucura, a literatura, o trágico, a transgressão.

Diversos autores da minha predileção frequentam as sua páginas: Nietzsche, Bataille, Blanchot, Artaud, Sade, Diderot, Bosch, Deleuze e, principalmente, Foucault.

O livro é também uma homenagem aos 50 anos de “História da Loucura”, de Michel Foucault.

Em breve, informação sobre o lançamento.

Por enquanto, para tira-gosto, segue a capa do livro: CAPA_LABIRINTO (2)

Minha querida amiga Cida Donato fez um belíssimo poema sobre o livro que exponho aqui no boteco:

Márcio Sales

Labirinto trágico (Cida Donato)

 

Linguagem da loucura,

Linguagem a-louca.

Loucura em códigos próprios

No turbilhão dos estrondos de um silêncio absoluto.

Dissolução de Sentidos da linguagem muda. Falada.

Do ser-não-ser da linguagem na ausência da presença do vazio.

 

Expressão da loucura em valores trágicos.

Ethos subversivo!

Estética da transgressão.

 

Contestação do poder;

Contestação da síntese dos contrários…

Legitimação dos opostos em dupla duplicidades;

Linguagem vazia na repetição de si mesma.

Estratégia de escape 

do poder exercido pela razão.

Experiências de experimentar.

Aproximação do impensado.

Palavras-conceito soltas em piruetas,

Em páginas em branco,

Se mostrando, se escondendo, se desdobrando em múltiplos sentidos.

Jogo lúdico e traiçoeiro

Sem regras, nas regras das decifrações próprias!

Louca lógica de um labirinto sem lógica; alógico…

Das várias entradasdiversos percursos e múltiplas saídas.

Vazio.

Abertura imprevisível de uma loucura cheia de possibilidades;

De uma loucura cheia da multiplicidade dos sentidos e da diferença…

 

 

 

14/09/2011 Posted by | Uncategorized | 10 Comentários

A maiêutica e a aranha

O filósofo grego Sócrates resolveu fazer uma homenagem à sua mãe, que era parteira, e passou a chamar o seu método filosófico de maiêutica, que quer dizer, a arte de dar à luz. É que para ele o conhecimento é algo que vem de dentro, que se tece nas vísceras, que é feito de sangue e suor (… e cerveja). Por isso que conhecimento não se confunde com informação. Vivemos na era da informação; mas ter informação não é a mesma coisa que ter conhecimento. A informação vem de fora pra dentro, muitas vezes já pronta, sedutora, mas cheia de perigos. Já o conhecimento surge de dentro pra fora; requer todo um trabalho de gestação e, finalmente, a dor e o prazer do parto (pelo menos é o que dizem algumas mães). Em todo caso, o conhecimento é singular. Ninguém ensina ninguém, pois aprender é construir um conhecimento a partir de si mesmo. Não, não se trata de uma auto-suficiência ou de um isolamento dos outros. A maiêutica socrática se construía na troca, no diálogo. Afinal, ninguém faz um filho sozinho (ainda bem!). Mas a experiência de gerir o conhecimento é única e singular.

Assim como a aranha tece seus fios e forma a teia que a sustenta, assim tecemos nossos pensamentos que sustentam, orientam e potencializam a nossa existência.

Márcio Sales

16/08/2011 Posted by | Uncategorized | 5 Comentários

Subterfúgios

Tenho gosto pelas coisas baixas. É… as coisas que geralmente são desprezadas, abandonadas e consideradas sem valor. Frequento os brechós, coleciono quinquilharias, tô sempre atrás de umas bugigangas. É… gosto das coisas da terra, do chão. Admiro os que sabem voar. Os pássaros de voo alto, uma asa delta cortando o céu e até os balões colorindo o azul ou brilhando no escuro. Tudo isso me fascina. Quando criança fiz muitos balões. Naquela época não era crime soltar balão. Também, agora tudo vira crime! Mas prefiro os pés no chão. Sentir a terra molhada, ver a paisagem daqui mesmo e poder tocar com as mãos. É… tenho olhar rasteiro. Meu olhar acompanha os loucos, os marginais, os vagabundos. Ele adentra o submundo, o subterrâneo, o subúrbio. Os poetas que mais gosto flertaram com a loucura. Um dos meus preferidos é o Manoel de Barros. O poeta que canta as coisas ínfimas e as vidas infames. É… falo sempre em tom subjetivo. Tudo é questão de ponto de vista, de perspectiva. Os que olham do alto e se sentem donos da verdade me provocam náuseas. Minha voz é um eco dos subalternos, dos submissos, dos subtraídos. Dos que na condição de sub não souberam gritar. Mas não grito por ninguém, grito junto, pra engrossar o coro.

Márcio Sales

15/07/2011 Posted by | Uncategorized | 12 Comentários

Cecília Meireles orquestrada

Há um tempo atrás, no boteco publicou um poema de Cecília Meireles, intitulado Cântico XIII – Renova-te (seção poesia). O compositor e pianista Dimitri Cervo, um visitante ilustre aqui do boteco, me encaminhou o poema orquestrado. Impressionado, perguntei se foi ele mesmo quem musicou. Ele respondeu: Foi sim, em uma luminosa semana de 1995!

É simplesmente incrível.

Basta conferir:

25/06/2011 Posted by | Uncategorized | 6 Comentários

El deseo

As cores chocantes no labirinto das paixões, o vermelho cortante entre abraços partidos, a fúria inebriada na lei do desejo é de deixar qualquer carne trêmula. Perdoa-me pela minha má educação, pois nem apresentei o convidado. É assim mesmo. São os meus maus hábitos. Vem de família. Se quiser, conto tudo sobre minha mãe. Ou então, vá direto ao ponto e fale com ela. Às vezes me pergunto: o que eu fiz para merecer isto? Mas não tem jeito. Essas coisas a gente não escolhe. De qualquer modo, mantenho guardado comigo a flor do meu segredo. O nome do convidado eu não conto. Pode me prender. Ata-me se quiser. Ponha-me amarrado e cercado de mulheres à beira de um ataque de nervos. Mas não conto. Adivinha, se for caso. Ou se sua loucura for maior que a minha, chama um matador.

Uma pista: ele está no centro cultural da caixa até o dia 19 de junho. Imperdível!!!

Márcio Sales

10/06/2011 Posted by | Uncategorized | 7 Comentários

Transcidade

A cidade devora seus transeuntes. Com suas luzes, seus sons e suas fumaças. De um canto pra outro, tudo é velocidade. Carros, corpos, canteiros de obra. De repente, tudo é lentidão, solidão…  e o sol que racha o asfalto e que não pára de brilhar. Beleza e calor. De dentro da janela se assiste o cristo redentor. Que se foi. A nuvem carregada o carregou. E agora a chuva cai e alaga a cidade.

Os transeuntes devoram a cidade. Comem sua gente, suas praias e seu cimento. Zona norte, zona sul, baixada fluminense. Ruas, morros e botecos. Forró-samba-rock. Medo, mistério e paixão. A noite gelada degelou o corpo. Que cai em qualquer canto até a próxima parada. Ou quem sabe a próxima caminhada.

Márcio Sales

30/03/2011 Posted by | Uncategorized | 7 Comentários

O tempo em cinco tempos – 5º. tempo

O tempo é uma criança que brinca (Heráclito).

O tempo é inocente como uma criança. Às vezes dizemos que vivemos um mau tempo, mas não existe o mau tempo. Só existe o tempo que brinca e que se move em sua brincadeira. Movimento lúdico, pois quando se brinca se cria e se constrói a si mesmo. O tempo é a oportunidade da criação. Nada fica parado no tempo. Nada permanece o mesmo no tempo. Não adianta se lamentar pelo tempo perdido. O que importa é o tempo que se anuncia, que se descortina, que se abre para uma nova invenção. Perder tempo é pensar no tempo que se perdeu.

Márcio Sales

18/03/2011 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

O tempo em cinco tempos – 4º. tempo

“Quem mata o tempo não é assassino, mas sim um suicida.” (Millôr Fernandes)

Estar atento às oportunidades. Saber o tempo certo das coisas é uma arte. O momento de lançar a rede no mar, de semear a terra, de falar e de ouvir, de sair e de chegar… Nem deixar passar nem se precipitar. Fazer um mau uso do tempo não é fazer mal ao tempo, mas a si mesmo. É deixar escapulir o que pode ser a chance de uma grande experiência.

Márcio Sales

05/03/2011 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário