No boteco

Música

 

 

 

 

 

 

 

 

Mistério do Planeta (Galvão & Moraes Moreira)

Os bambas do samba: Noel Rosa e Wilson Batista



 

Feitiço da Vila, por João Gilbeto



 

 Filosofia (Noel por Paulinho)
 


 


 

Secos & molhados



 

Ladeira da Memória, de Zécarlos Ribeiro,

com Grupo Rumo.



 

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Olha as pessoas descendo, descendo, descendo
Descendo a Ladeira da Memória
Até o Vale do Anhangabaú
Quanta gente!
Vagando pelas ruas sem profissão
Namorando as vitrines da cidade
Namorando, andando, andando, namorando
O céu ficou cinza e de repente trovejou
E a chuva vem caindo, caindo, caindo
Prendendo as pessoas nas portas, nos bares
Na beirada das calçadas
Quanta gente!
Com ar aborrecido olhando pro chão
Pro reflexo dos edifícios e dos carros
Nas poças d’água
E pros pingos, pingando, pingando, pingando
Olha as pessoas felizes, felizes, felizes
Felizes por que a chuva que caía agora pouco
Essa chuva que caia agora pouco já passou
 

Like a Rolling Stone, com Bob Dylan



 

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Como Uma Pedra Que Rola
 

Era uma vez, você se vestia tão bem
Jogava esmola aos mendigos em seu auge
Não foi?
As pessoas chamavam, dizendo “Cuidado boneca
Você está pedindo pra cair”
Você achou que todos eles estavam brincando com você
Você costumava rir de
Todo mundo que ficava vadiando ao redor
Agora você não fala tão alto
Agora você não parece tão orgulhosa
De estar tendo que vasculhar pela sua próxima refeição
 

Como se sente?
Como se sente?
Por estar sem um lar?
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?
 

Você freqüentou a melhor escola
Muito bem, Senhorita Solitária
Mas você sabe que você apenas ficava enchendo a cara lá
E ninguém jamais lhe ensinou
Como viver nas ruas
E agora você descobre (que)
Você vai ter que se acostumar com isso
Você dizia que jamais condescenderia
Com o vagabundo misterioso, mas agora você percebe
Que ele não está vendendo álibis
Enquanto você olha fixamente para o vácuo de seus olhos
E o pergunta, você quer fazer um trato?
 

Como se sente?
Como se sente?
Por estar por sua conta?
Sem nenhuma direção para casa
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?
 

Você nunca se virou para ver as carrancas
Dos equilibristas e dos palhaços
Enquanto todos eles chegavam
E faziam truques para você
Você jamais entendeu que isso não é bom
Você não deveria deixar as outras pessoas
Se divertir no seu lugar
Você antigamente cavalgava o cavalo cromado
Com seu diplomata
Que carregava em seu ombro um gato siamês
Não é difícil quando você descobre que
Ele realmente não era tudo que aparentava ser
Depois que ele levou de você tudo que podia roubar?
 

Como se sente?
Como se sente?
Por estar por sua conta?
Sem nenhuma direção para casa
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?
 

Princesa no campanário e todas as pessoas bonitas
Estão todas bebendo e pensando que estão por cima
Trocando presentes caros e coisas
Mas é melhor você surrupiar o seu anel de brilhante
É melhor você penhora-lo, gata
Você antigamente era tão entretida
Com o Napoleão de trapos e a linguagem que ele usava
Vá para ele agora, ele te chama, você não pode recusar
Quando você não tem nada, você não tem nada a perder
Você está invisível agora
Você não tem mais segredos a ocultar
 

Como se sente?
Como se sente?
Por estar por sua conta
Sem nenhuma direção para casa
Como uma completa estranha?
Como uma pedra que rola?

Ouro de tolo, Raul Seixas



 

Lô Borges: Clube da esquina 2 e Um girassol da cor de seu cabelo



 

Seu Chico, João e Maria


 

Violêro (Elomar): em dois tempos


 


 

Vô cantá no canturi primero
as coisa lá da minha mudernage
qui mi fizero errante e violêro
Eu falo séro e num é vadiage
E pra você qui agora está mi ôvino
Juro inté pelo Santo Minino
Vige Maria qui ôve o qui eu digo
Si fô mintira mi manda um castigo
 

Apois pro cantadô i violero
Só hái treis coisa nesse mundo vão
Amô, furria, viola, nunca dinhêro
Viola, furria, amô, dinhêro não
 

Cantadô di trovas i martelo
Di gabinete, lijêra i moirão
Ai cantadô já curri o mundo intêro
Já inté cantei nas portas di um castelo
Dum rei qui si chamava di Juão
Pode acriditá meu companhêro
Dispois di tê cantado u dia intêro
o rei mi disse fica, eu disse não
 

(REFRÃO)
Si eu tivesse di vivê obrigado
um dia inantes dêsse dia eu morro
Deus feiz os homi e os bicho tudo fôrro
já vi iscrito no Livro Sagrado
qui a vida nessa terra é u’a passage
E cada um leva um fardo pesado
é um insinamento qui
derna a mudernage
eu trago bem dent’do
coração guardado
 

(REFRÃO)
Tive muita dô di num tê nada
pensano qui êsse mundo é tud’tê
mais só dispois di pená pelas istrada
beleza na pobreza é qui vim vê
vim vê na procissão u Lôvado-seja
i o malassombro das casa abandonada
côro di cego nas porta das igreja
i o êrmo da solidão das istrada
 

(REFRÃO)
Pispiano tudo du cumêço
eu vô mostrá como faiz o pachola
qui inforca u pescoço da viola
rivira toda moda pelo avêsso
i sem arrepará si é noite ou dia
vai longe cantá o bem da furria
sem um tustão na cuia u cantadô
canta inté morrê o bem do amô.
 

Estampas Eucalol (Hélio Contreiras)


 

Montado no meu cavalo
Libertava Prometeu
Toureava o minotauro
Era amigo de Teseu
Viajava o mundo inteiro
Nas estampas Eucalol
À sombra de um abacateiro
Ícaro fugia do sol
 

Subia o Monte Olimpo
Ribanceira lá do quintal
Mergulhava até Netuno
No oceano abissal
São Jorge ia prá lua
Lutar contra o dragão
São Jorge quase morria
Mas eu lhe dava a mão
E voltava trazendo a moça
Com quem ia me casar
Era minha professora
Que roubei do rei Lear.
 

Mula Manca & a Fabulosa Figura entra No Boteco e enche esse espaço de imaginação com o clipe da música Dinheiro.
 


 

China invade o boteco pra falar de Um dia lindo de morrer
 


 

O dia mistura as cores
Que voltam pro mesmo lugar
A incerteza me acompanhou
Onde eu tenha que passar
 

Eu sou o cativeiro do meu pensamento
Mas tiro meus pés do chão para poder sonhar
Se eu sou o cativeiro do meu pensamento
Porque tiro os pés do chão para poder sonhar?
 

Seu beijo sumiu do meu rosto
Meu sangue subiu a cabeça
Queria olhar para você
Mas sem ter que olhar para trás
 

Meu sorriso não é tão largo
Estou feliz mas às vezes choro
Jogo meu corpo no espaço
Ah, hoje faz…
 

Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
 

Seu beijo sumiu do meu rosto
Meu sangue subiu a cabeça
Queria olhar para você
Mas sem ter que olhar para trás
 

Meu sorriso não é tão largo
Estou feliz mas às vezes choro
Jogo meu corpo no espaço
Ah, hoje faz…
 

Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
Hoje faz um dia lindo de morrer…
 

Da Bahia-Recife para o mundo: Baia e RockBoys
 


 

O Vanguart é uma banda de Cuiabá (MT) que surgiu no cenário musical independente em 2003. O grupo segue a trilha pouco explorada do folk rock. Seu estilo é bastante influenciado por artistas de folk rock, blues e rock clássico, tais como Johnny Cash, Bob Dylan, The Beach Boys, The Velvet Underground, The Beatles e Neil Young.
 

No boteco dá um destaque para o clip da música Semáforo:
 


 

A banda Vermelho 27 atuando como “The Sconhecidos” no filme “A Máquina” de João Falcão. Interpretando Dia Branco, de Geraldo Azevedo; música tema do filme e faixa do Cd da banda.
 


 

Mallu Magalhães cantando a música “Vanguart”
 


 

Vanguart (Mallu Magalhães)

Ah, se eu fizesse tudo que eu sonho.
Se eu não fosse assim tão tristonho
Não seria assim tão normal
 

Ah, se eu fizesse o que eu sempre quis,
Se eu fosse um pouco mais feliz
Levantasse o meu astral
 

7 dias vão e eu nem fui ver
7 dias tão fáceis de se envolver
 

Ah, se eu tivesse fotografado
Se eu tivesse integrado
Num mundo sobrenatural
 

Ah, eu seguiria o realejo
Desenharia o que eu vejo
No meu cereal
 

30 dias do mês que ficou pra trás
E eu só mais um desses meros tão mortais
 

Ah, se eu fizesse alguma diferença
Se eu curasse uma doença
Com uma força genial
 

Ah, eu cantaria pra fazer sorriso
Eu perderia o meu juízo
Só pra ser especial
 

7 dias vão e eu nem fui ver
São 7 dias tão fáceis de se envolver
 

30 dias do mês que ficou pra trás
E eu sou só mais um desses meros tão mortais
 

Ah, se eu fizesse tudo que eu sonho.
Se eu não fosse assim tão tristonho
Não seria assim tão normal
 

Ah, se eu fizesse o que eu sempre quis,
Se eu fosse um pouco mais feliz
Se eu levantasse o meu astral
 

Mais Bárbaros do Blues altamente destilado
 


 

Luiz Gonzaga, Albert Camus e o Assum Preto
 


 


 

Cegamos alguns pássaros para que cantem melhor. Eu não sei se as pessoas de hoje cantam melhor que seus avós, mas sei que elas foram cegadas. O terrível método para cegá-las consiste em expô-las ao brilho excessivo, à imediaticidade e à luz excessiva. (Camus, O mito de Sísifo)
 

Assum Preto (Luiz Gonzaga / Humberto Teixeira)
 

Tudo em vorta é só beleza
Sol de Abril e a mata em frô
Mas Assum Preto, cego dos óio
Num vendo a luz, ai, canta de dor (bis)
Tarvez por ignorança
Ou mardade das pió
Furaro os óio do Assum Preto
Pra ele assim, ai, cantá mió (bis)
Assum Preto veve sorto
Mas num pode avuá
Mil vez a sina de uma gaiola
Desde que o céu, ai, pudesse oiá (bis)
Assum Preto, o meu cantar
É tão triste como o teu
Também robaro o meu amô
Que era a luz, ai, dos óios meus (bis)
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Moska e Deleuze
 


 

  Virtual(mente) (Moska/Nilo Romero)

De onde vim? Pra onde irei? Não sei
Nada está no mesmo lugar
Meus olhos no espelho, ainda estão vermelhos
Não agüentam me ver chorar
Eu daqui, você de lá
Encontros virtuais todo dia
Já nem sei no que vai dar
Nossa paisagem nova, pop filosofia
Outra realidade pra anestesiar
Nossa viagem sem sair do lugar
Eu sei que o nosso amor ainda navega
Mas tudo que eu grito não chega aos seus ouvidos
Nada mantém o meu coração refém
Preso no espaço sideral
No abismo da rede
Ondas que vão e vêm
Alimentando o amor ideal
Tudo bem, tudo igual
Novamente sem seu sorriso
Até amanhã, e ponto final
Pra ir pro paraíso, tudo que eu preciso é
De outra realidade pra anestesiar
Nossa viagem sem sair do lugar
Eu sei que o nosso amor ainda navega
Mas tudo que eu grito não chega aos seus ouvidos
Eu, numa ilha, sem balanço do mar
Mal, minhas garrafas sempre voltam pra cá
Talvez tudo vá se encaixar
Mas sei: solidão a dois, nunca mais

Certo dia Deleuze escreveu uma carta a um crítico severo que havia despejado sobre ele uma série de acusações ressentidas. Essa carta, por sua vez, é bela, rica e cheia de vibrações. É uma carta que fala de encontros.
 

A própria carta é o resultado de um encontro – entre Deleuze e o tal crítico severo. E o que ela expressa exatamente? Disputas, confrontos, explicações? Nada disso. Ela expressa a intensidade de um pensamento. Sem dúvida, uma carta filosófica.
 

Nela, Deleuze assinala os encontros infelizes que produzem os mais baixos e amargos sentimentos. Mas fala principalmente dos encontros felizes que potencializam a existência. Em relação a estes cita o seu encontro com Foucault e com Guattari. Mas destaca também o encontro que teve com diversos filósofos – Lucrécio, Hume, Espinosa, Nietzsche, Bergson e outros.
 

O que significa este encontro pela via da leitura? Ler um filósofo não para comentá-lo ou para interpretá-lo; nem tampouco para extrair dele a sua verdade; muito menos para denunciá-lo ou acusá-lo. A filosofia nada tem a ver com estas mesquinhas tarefas. A leitura é um encontro que promove força, vida e criação. Uma leitura deve tornar aquele que ler mais forte, mais vivo e mais criativo; senão trata-se de um encontro infeliz.
 

É o que Deleuze chama de leitura em intensidade. É assim que ele se encontra com os filósofos – “eu me imaginava chegando pelas costas de um autor e lhe fazendo um filho, que seria seu, e no entanto seria monstruoso”. Não consiste em repeti-lo, mas a partir dele produzir um outro pensamento, mesmo que monstruoso.
 

Mas há também os encontros consigo mesmo ou com os muitos que somos – “cada um, como todo mundo, já é muitos”. Esse encontro também produz deslocamentos; nos faz sair do lugar – “ou viajar sem sair do lugar”; nos faz ver de outra maneira; nos permite construir uma nova paisagem para o pensamento. É a partir desta idéia que Deleuze concebe uma “pop`filosofia”. Uma filosofia para não filósofos ou para além da filosofia. Uma filosofia não amordaçada pela história da filosofia, não autorizada pelo saber legítimo, não confiscada pelas convenções, não engolida pelo significante. Uma filosofia clandestina. “Sinto chegar a idade próxima de uma clandestinidade meio voluntária meio imposta, que será o mais jovem desejo, inclusive político”.
 

Essa filosofia é livre, inclusive, da verdade. “Mas o que sabe você de mim, uma vez que eu acredito no segredo – quer dizer, na potência do falso – mais do que nos relatos que revelam uma deplorável crença na exatidão e na verdade?” Potência do falso. Mais uma vez uma Moska na sopa: “Eu falso da minha vida o que eu quiser”.
 

O que importa a verdade? O importante é como funciona um pensamento; o que ele ativa, lança e detona – “me ativa, me lança pra longe, pra outros lugares, pra novos presentes. Ninguém me sente… somente eu posso saber o que me faz feliz”.
 

O que importa não é o que alguma coisa quer dizer, mas o que faz dizer, faz acontecer, faz mover… um móbile no furacão.
 

Moska encontrou Deleuze e lhe fez muitos filhos…
 

Led Zeppelin!!!
 


 

A melhor banda de rock de todos os tempos executando o maior som de todos os tempos
 

Since I’ve been Loving you
 


 

O Led Zeppelin é uma banda incomparável. As músicas, as letras, as performances nos shows deixaram uma marca na história do rock´n´roll.
 


 

Todos os álbuns da banda são espetaculares.
 


 

Led Zeppelin sempre…
 

Victor Biglione: o mago da guitarra
 

Sensasional!!!
 


 

Céu: a pra lá que eu vou
 


 

Quando ouvi a Céu me apaixonei. Foi amor à primeira ouvida. Que voz, que letras, que arranjos. Não me contive… arranjei logo um jeito de me aproximar dela. Primeiro com o cd, depois no show. Me surpreendi mais ainda. Como se não bastasse a sua voz deslumbrante e cheia de malemolência, seus gestos bailantes fascinam. Ela é toda linda…
 

Elomar: sertanês para os ouvidos
 


 

Elomar é um artista encantador. Seus concertos, cantorias, estórias e poesias nos transportam para mares nunca antes navegados. Pura emoção. Elomar, uma figura singular.
 

Essa entrevista feita por Mônica Loureiro merece destaque aqui No boteco. Aproveitem!!!
 

Elomar: um sertanejo radical e suas artes
 


O cultuado cantador baiano fala sobre música, política, mídia e anuncia vários projetos para o futuro

 

Por Mônica Loureiro
 

Elomar Figueira Mello não faz shows, faz concertos e cantorias. Odeia a língua inglesa por questões culturais, faz citações em latim e compõe em dialeto sertanês. Se recusa a ser filmado e acha que a imprensa brasileira é uma cópia vergonhosa da americana – assim como os filmes.
 

Poderia-se enumerar aqui uma série de opiniões que, aos olhos dos mais desavisados, podem parecer extravagantes. Mas diante de um mínimo de conhecimento de sua obra – que está atualmente sendo estudada por alunos da Uerj, coordenados pela professora Darcília M. P. Simões – e sua vida, Elomar revela-se um ser humano rico, um artista de tal talento que, por isso mesmo, acaba sendo mal-compreendido e pouco conhecido do grande público.
 

O cantador, compositor, escritor e vaqueiro nunca se importou com a mídia. Aos 65 anos, desiludido com a maldade do mundo e dizendo-se incapaz de continuar a conviver com seus semelhantes, avisa que vai morar numa caverna. Cliquemusic entrevistou Elomar no camarim do Centro Cultural Banco do Brasil, entre uma apresentação e outra da série “Transgressores”. Mesmo sem almoço e cansado, ele conversou atenciosa e longamente com a repórter.
 

Cliquemusic: Você comentou, durante o show, que estaria se despedindo. Que história é essa?
ELOMAR:
Não faço shows, faço concertos e cantorias. Gosto de citações em francês, espanhol, latim e grego. Mas a língua inglesa é abominável por uma questão cultural. Sua proposta imperialista é asquerosa. A Inglaterra se acha porreta, se considerava a rainha dos mares. De uma hora para outra, seu filho bastardo tomou o poder. Veja essa invasão do Iraque, que gesto de grande covardia! Os valentões americanos só batem em pequeno. E os governos do Terceiro mundo são afeminados, tudo que o Primeiro Mundo dita, eles acolhem, é vergonhoso. O povo brasileiro é um dos mais inteligentes, depois do judeu e do árabe, mas acaba aceitando isso tudo e até inibe a inteligência – as pessoas ficam com vergonha de criar, acham que estão errados. Falei tudo isso para justificar por que não gosto da palavra show… Voltando à pergunta, ah, eu tô sempre me despedindo. É porque estou repovoando a Casa dos Carneiros (sua fazenda na Bahia). Aconteceu um grande baque, tinha muita cabra, carneiro e as onças destruíram tudo.
 

O que você acha de ser considerado um “transgressor”?
Quando soube do título da série, não achei bom, o verbo transgredir passa por cima do que está pré-estabelecido, da lei, e eu sou um cristão de linhagem pura. Seria melhor marginalizados, rebeldes, malditos no sentido poético da expressão.
 

Você tem aversão à mídia, não é?
A imprensa é uma vergonha, tudo cópia americana. Eu só ligo a TV para ver noticiário e a previsão do tempo. O banco (CCBB) queria me filmar, eu não! De maneira nenhuma, minha imagem é sagrada. Eu já fiz muitas gravações para a TV Educativa, a Record, mas de uns 15 anos para trás. A televisão é uma bela invenção, mas está nas mãos dos maus, dos poderosos.
 

Conte um pouco sobre o início de seu envolvimento com a música.
Comecei a compor aos 11 anos, aos 16 tive notícias dos menestréis, conheci os cantadores do sertão, de feira em feira, de fazenda em fazenda. Na época eu nem sabia que existia disco, teatro. Cantava como um trovador, um rapseto. Aí fui para cidade, descobri o disco, o auto-falante, o rádio. Mesmo depois de me formar, já com muitas composições, ainda assim não pretendia gravar, sempre achei que música tinha que ser apreciada ao vivo. Me induziram a gravar um disco, gravei, depois o público cobrando mais música… Hoje, tenho 17 horas de partituras que dariam 18 CDs de uma hora, mas tudo depende de dinheiro.
 

E você sempre compôs em dialeto? Tem idéia do volume de sua obra?
Sempre, só com dialeto denso, sertanês. Não tenho material organizado, só uns arquivos implacáveis… O que tem de verso meu sendo comido por rato e cupim lá em casa… Outro dia abri uma sala lá na Casa dos Carneiros e vi um rato saindo com um pedaço de um poema na boca. Dei um chute nele e disse: rato não come poema meu! Ganho muita literatura emergente por onde passo, aí eu consulto e quando vejo que é ruim demais, guardo na frente para os ratos comerem e deixarem os meus intactos!
 

Atualmente, você está se dedicando mais às óperas e antífonas…
Sempre fiz as óperas e antífonas junto com as canções. Mas o ciclo do cancioneiro acabou. Acho que a canção é um espaço muito limitado… Os compositores de todos os tempos, Villa-Lobos, Mozart, Brahms, escreveram canções no início, depois foram saindo para coisa maior. Quem tem talento é assim; quem tem limitado, fica só na canção. Daqui a pouco, não vou compor mais nada, vou me dedicar aos roteiros de cinema e aos contos.
 

Como são esses roteiros?
Faço um anti-cinema. Tenho asco às propostas atuais, acho os cineastas brasileiros tudo um bando de copistas dos americanos – pelo menos o que já chegou até a mim. Há muito tempo venho escrevendo minhas historinhas e como nosso país tem histórias belas… O que tem de entradas e bandeiras, revoluções, Guerra dos alfaiates, levantes do Maranhão, investidas dos ingleses e holandeses, cada história dessa dá um roteiro belíssimo. Tenho um que está todo em minha mente: O Cerco de São Sebastião do Rio de Janeiro, sobre Villegaignon. Já escrito tenho o Sertanílias, onde tem um personagem chamado Sertano. A câmera nunca pega seu rosto, ele está sempre de perfil, é um anti-herói, uma figura ética que viaja pelos sertões. Ele anda a cavalo, calça botas, tem uma pistola e porta um facão, mas a grande arma dele é a palavra, seu discurso passa por todo o conhecimento histórico do homem. Trabalho entre a ficção e a realidade: na abertura tem cinco jornalistas que me entrevistam sobre minha obra e vida. Após cada pergunta/resposta, escorrega para Sertano, viajando por meus personagens; indo e vindo. É 20% de realidade e 80% de imaginário. Já estou esboçando “Sertano visita a cidade grande”. Mas nem sonho em levá-lo ao cinema, é muito caro! Já fizeram o orçamento, custaria R$ 8,10 milhões. Tem também Os Vaqueiros, Os Escravos e A Casa dos Sete Candeeiros, que escrevi há 20 anos. Começa em Portugal, nos jardins de um castelo num duelo entre dois homens por causa de uma mulher, vem para a Chapada Diamantina, no ciclo do ouro e mostra todo o Brasil colonial. Meus roteiros são todos utópicos…
 

Por que você não faz com os roteiros algo semelhante ao que vem fazendo com as óperas – apresentações com formação reduzida por nem sempre poder dispor de uma orquestra completa?
Pois sabe o que estou fazendo? Até julho, o Sertanílias vai sair em formato de livro. Já estou dando 40 cenas principais para Orlando Celino, um artista plástico de Conquista, desenhar a bico de pena. Porque todas as cenas do meu filme eu desenho a lápis, com todos os posicionamentos de câmera. Para quem vier filmar não ficar inventando! Assim, quem dirigiu fui eu, mesmo pós-mortem. Se der certo em formato de livro, vou publicar os outros também.
 

 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

12 Comentários »

  1. Está maravilhoso o repertório. Quero aproveitar este espaço para mandar um grande abraço para minha amiga “MIM”.
    Sei que depois de amanhã é um dia muito especial para ela, mas como estarei viajando, vou antecipar meus parabéns e deixar aqui um pedaço da letra de uma música que sei que vc amiga gosta muito.

    Lara Fabian – Je Me Souviens

    J’aime tes poèmes, ton coeur, ta liberté
    Tu es la seule terre où
    Mon âme s’est posée

    Un accent dont personne ne connaît les secrets
    Un français qui s’élance dans des mots oubliés
    Une manière inimitable de chanter
    Je n’oublie rien de rien,
    Je me souviens

    J’aime tes blasphèmes, ta foi, ta dignité
    Tu es comme une île
    Que l’on ne peut pas quitter

    J’aime tes poèmes, ton coeur, ta liberté
    Tu es comme une île
    Que l’on ne veut pas quitter

    Amiga não esqueça de levar o violão p/o próximo encontro. Bjs

    Comentário por Leandra | 15/07/2008 | Responder

  2. Vai rolar um encontro no boteco e vocês nem convidam, né? rsrs
    Aqui o som é de primeira!!! Desconfio que seja o aniversário de Jasmim. Dê um abraço nela por mim.

    Comentário por marciosales | 16/07/2008 | Responder

  3. Olá, acabei de,por acaso, encontrar seu blog e muito me surpreendeu o texto onde você faz uma aproximação entre a música do Moska e o pensamento de Gilles Deleuze. Me pareceu muito conveniente o texto, posto que, o pensamento do filosófo é muito influente na obra do compositor, haja vista as já citadas músicas que deixam muito evidente essa influência.

    O Discurso do Moska é rodeado de variavéis, tanto a sua música como a fotografia,enfim, suas formas de composição que acrecentam-se,ligam-se, fazem , sempre,parte de um devir envolvido na multiplicidade, tal como um rizoma.

    Parabéns pelo texto.

    Comentário por Laio | 04/03/2009 | Responder

  4. Oi Laio, bons encontros também acontecem por acaso. Sinta-se à vontade e se quiser deixar alguma colaboração pra ser publicada aqui será muito bem-vinda. Valeu!

    Comentário por marciosales | 07/03/2009 | Responder

  5. Caraaamba … muiito boom esse blog.. adoreei!
    beijoos
    Déeh Trindade
    ad 211 – FAETEC

    Comentário por Débora Trindade | 10/03/2009 | Responder

    • Valeu Débora!!! Bjão

      Comentário por marciosales | 11/03/2009 | Responder

  6. aqui neste espaço encontro uma seleção de músicas maravilhosas .
    parabéns pelo belo gosto!

    Comentário por Fabíola Duque Cesar | 12/03/2009 | Responder

    • Admito que o repertório é de primeira. Bjs Fabíola.

      Comentário por marciosales | 13/03/2009 | Responder

  7. Vou acabar ficando “embriagada” neste boteco…rs.
    Ficou bem eclético e divertido.
    Parabéns!

    Comentário por Rosangela Costa | 09/03/2010 | Responder

  8. Adorei está parte do boteco . Muito bom !!!!

    Comentário por cristina | 10/03/2010 | Responder

  9. Aqui você pode “encher a cara” e os ouvidos também Rosângela. Bjs

    Comentário por marciosales | 10/03/2010 | Responder

  10. Marcio, adorei este blog. Você super criativo. A propósito, não encontrei a música da ladeira. Envia para o meu e-mail dudazum@gmail.com. Parabéns pelo aniversário do blog. Bjs

    Comentário por Dulce | 31/05/2010 | Responder


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