No boteco

Transcidade

A cidade devora seus transeuntes. Com suas luzes, seus sons e suas fumaças. De um canto pra outro, tudo é velocidade. Carros, corpos, canteiros de obra. De repente, tudo é lentidão, solidão…  e o sol que racha o asfalto e que não pára de brilhar. Beleza e calor. De dentro da janela se assiste o cristo redentor. Que se foi. A nuvem carregada o carregou. E agora a chuva cai e alaga a cidade.

Os transeuntes devoram a cidade. Comem sua gente, suas praias e seu cimento. Zona norte, zona sul, baixada fluminense. Ruas, morros e botecos. Forró-samba-rock. Medo, mistério e paixão. A noite gelada degelou o corpo. Que cai em qualquer canto até a próxima parada. Ou quem sabe a próxima caminhada.

Márcio Sales

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30/03/2011 Posted by | Uncategorized | 7 Comentários

O tempo em cinco tempos – 5º. tempo

O tempo é uma criança que brinca (Heráclito).

O tempo é inocente como uma criança. Às vezes dizemos que vivemos um mau tempo, mas não existe o mau tempo. Só existe o tempo que brinca e que se move em sua brincadeira. Movimento lúdico, pois quando se brinca se cria e se constrói a si mesmo. O tempo é a oportunidade da criação. Nada fica parado no tempo. Nada permanece o mesmo no tempo. Não adianta se lamentar pelo tempo perdido. O que importa é o tempo que se anuncia, que se descortina, que se abre para uma nova invenção. Perder tempo é pensar no tempo que se perdeu.

Márcio Sales

18/03/2011 Posted by | Uncategorized | 1 Comentário

O tempo em cinco tempos – 4º. tempo

“Quem mata o tempo não é assassino, mas sim um suicida.” (Millôr Fernandes)

Estar atento às oportunidades. Saber o tempo certo das coisas é uma arte. O momento de lançar a rede no mar, de semear a terra, de falar e de ouvir, de sair e de chegar… Nem deixar passar nem se precipitar. Fazer um mau uso do tempo não é fazer mal ao tempo, mas a si mesmo. É deixar escapulir o que pode ser a chance de uma grande experiência.

Márcio Sales

05/03/2011 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário