No boteco

Tá falando grego?

Os gregos criaram um exercício de escrita que funcionava como uma espécie de caixa de ferramentas para a vida. Caderno de anotações com frases, fragmentos de textos, pensamentos curtos ou reflexões, próprios ou dos outros, que eram utilizados no dia-a-dia de acordo com a necessidade ou com a vontade. Se alguma coisa tinha ocorrido e provocado um desassossego na alma era preciso trazer à lembrança uma palavra que pudesse renovar a força e fazer dar a volta por cima. Como no caso de alguém que a gente gosta e que está atravessando um momento difícil e a gente diz que vai lá dar uma força. Ou mesmo se tá tudo bem e se quer ter uma relação melhor ainda com o mundo e com as pessoas é nessas anotações que se reforça a sabedoria de viver. É bem essa a função desses escritos que os gregos chamavam de hypomnemata. Era uma prática que cada um deveria desenvolver em relação a si mesmo e aos outros. Palavras dirigidas aos outros, mas principalmente a si mesmo. Trata-se de um instrumento, de uma estratégia de vida que é também uma busca pessoal pela transformação do que se é. A escrita como exercício de autotransformação, como experimentação da vida, como um grande ensaio. Ao escrever se escreve a si mesmo.

Márcio Sales

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21/01/2011 - Posted by | Uncategorized

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