No boteco

Mistério do Encontro

Os encontros me apetecem. Mas também me espantam… pelo mistério que carregam. Somos o resultado dos encontros que tivemos e temos ao londo da vida. Alguns programados, combinados, arquitetados. Outros imprevistos, inesperados, por acaso. Em todos eles uma carga de afeto. Os encontros afetam os corpos que se misturam. Não dá pra ficar imune. Você encontra uma pessoa que não conhecia e deste encontro surge um novo afeto… e agora você não é mais o mesmo, pois carrega consigo este novo afeto, esta nova experiência. Você encontra um livro que, a princípio, despertou o interesse pela capa. Então começa a lê-lo e eis que de repente ele te afeta de tal maneira que você se transmuta. É como uma nova camada de tinta. O afeto se aloja em você te tornando outro. Fluxo constante onde nada se conserva no mesmo lugar.

E assim encontrei uma música. Mistério do Planeta. E com ela viajei por lugares que já tenho navegado, mas vendo novas paisagens. Ela fala dos encontros dos corpos. Do corpo jogado no mundo, como um lance de dados, que esbarra com a possibilidade de novos encontros. Nesses encontros, pela lei natural que os conduz, deixamos parte de nós com o outro e recebemos um outro tanto. Um jogo de troca em que nem um nem outro permanece o mesmo. Devoração antropofágica. A planta suga da terra o seu alimento, assim como a criança suga do seio da mãe a sua existência. Muda a planta, muda a terra. Muda a criança, muda a mãe. É sempre uma nova muda que brota falando pra vida dos seus doces mistérios. Parte de nós sempre fica com os outros, e dos outros sempre carregamos algo. Poética do roubo. Malandragem de quem tem os olhos atentos no que é do outro, no que o outro tem de valioso. Só me interessa o que não é meu… dita o manisfesto antropofágico. Então roubo e ninguém vê, porque o que é do outro se dissolve no múltiplo que sou – ando e penso sempre com mais de um. Por isso ninguém vê minha sacola. Sou moleque do Brasil.

Segue abaixo a letra de Mistério do Planeta. A música você ouve na seção música.

Mistério do Planeta

(Galvão & Moraes Moreira)

Vou mostrando como sou
E vou sendo como posso,
Jogando meu corpo no mundo,
Andando por todos os cantos
E pela lei natural dos encontros
Eu deixo e recebo um tanto
E passo aos olhos nus
Ou vestidos de lunetas,
Passado, presente,
Participo sendo o mistério do planeta
O tríplice mistério do “stop”
Que eu passo por e sendo ele
No que fica em cada um,
No que sigo o meu caminho
E no ar que fez e assistiu
Abra um parênteses, não esqueça
Que independente disso
Eu não passo de um malandro,
De um moleque do brasil
Que peço e dou esmolas,
Mas ando e penso sempre com mais de um,
Por isso ninguém vê minha sacola

márcio sales

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07/10/2009 - Posted by | Uncategorized

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