No boteco

Cosmofagia

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Há uma antropofagia generalizada na condição humana. O homem se alimenta do outro homem: da sua história, das suas crendices, da sua arte, do seu pensamento, do seu trabalho etc etc. E assim nos tornamos esse ser híbrido, cheio de todo mundo. Cada um é uma multidão. Mas não pára por aí. Não nos alimentamos apenas das experiências humanas. Somos comedores do universo (cosmos) e de tudo o que nele há. Chico já chamava a atenção para o Brejo da cruz, onde a novidade era se alimentar de luz. Mas é o Manoel de Barros que vai fundo nesta cosmofagia. Tudo come tudo. Não sobra nada nem ninguém.

Na áspera secura de uma pedra a lesma esfrega-se
Na avidez de deserto que é a vida de uma pedra a lesma
escorre…
Ela fode a pedra.
Ela precisa desse deserto para viver.

– A partir da fusão com a natureza esses bichos se
tornaram eróticos. Se encostavam no corpo da natureza
para exercê-la. E se tornavam apêndices dela.
Ou seres adoecidos de natureza. Assim, pedras sonhavam
eles para musgo. Sapos familiarizavam eles com o chão.

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28/02/2009 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário