No boteco

Devir-deus

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Um certo Bernardo, guardador de águas, tinha mania de ser deus. Quanto mais se aproximava do chão mais perto chegava de Deus. Bernardo se inventa… Um dia chegou em casa árvore. Quando não é deus, mexe com Deus:

Com as mãos endireita Deus para ele.
O rio conta com os seus cuidados para descer as grotas
– conta
Com as suas bênçãos, com os seus escapulários…
Ele mexe com planta e com épocas.

Com as mãos endireita Deus para ele.

Manoel de Barros diz que ele montou no quintal uma Oficina de Transfazer Natureza. Certamente para brincar de deus. Lá ele já fez:

Duas aranhas com olho de estame
Um beija-flor de rodas vermelhas
Um imitador de auroras – usados pelos tordos.

Todas as vezes que criamos nos tornamos à imagem e semelhança de Deus. Talvez deus seja outra palavra para criação e o ato criativo uma forma de devir-deus. O poeta sofre de devir-deus.

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13/02/2009 Posted by | Uncategorized | Deixe um comentário