No boteco

Travessia

“a coisa não está nem na partida e nem na chegada, mas na travessia” (Guimarães Rosa)

Três velhos amigos velhos se reúnem para comemorar uma encenação que fizeram juntos da peça A Ceia dos Cardeais, clássico português de Julio Dantas, há 50 anos. Neste encontro relembram suas experiências e falam dos seus amores passados e presentes.

Um velho senhor às vésperas de completar 90 anos decide comemorar com um presente que lhe era comum na juventude: “uma noite de amor louco com uma adolescente virgem”. Em meio a esta aventura recorda das mulheres que passaram pela sua vida.

O olhar da velhice quer o viço permanente do amor.

É o que mostram o filme Juventude de Domingos de Oliveira e o livro Memórias de minhas putas tristes de Gabriel Garcia Márquez.

Ambos falam da juventude, do amor, e da velhice. Ou melhor, falam do amor na juventude e na velhice. Mas com uma grande diferença: o filme traz como cenário uma amizade que resistiu ao tempo. Já o livro uma solidão que insistiu em acompanhar a vida – quase cem anos de solidão.

Mas é o amor que dá o tom da conversa tanto no filme como no livro. É o amor que desperta as saudades; é o amor que acorda as lembranças; é o amor que alimenta o sonho; é o amor que sustenta a alegria de viver.

Não um amor platônico, ideal, perfeito; mas um amor de carne e osso, que é pele, que é sexo, que é respiração, que é confusão. Abalos sísmicos.

Enquanto o coração agüentar esse amor está no ar.

Anúncios

08/01/2009 - Posted by | Uncategorized

Nenhum comentário ainda.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: