No boteco

Os clubes das esquinas

Participando de alguns debates acerca dos acontecimentos que marcaram o ano de 1968, 40 anos depois fiquei pensando na força que impulsionou aquelas pessoas a saírem para as ruas “em meio a tantos gases lacrimogêneos”. Havia um desejo de lutar pelos seus ideais, havia uma sede de mudança, havia um sonho de que as coisas pudessem caminhar com outras pernas. E o vento foi varrendo os corações e carregando as multidões para as manifestações. “Viagem de ventania”!!! E foram em frente, seguindo a cada passo, contando cada compasso, resistindo a cada dia, posto “que a chama não tem pavio”. Ela não se apaga porque é feita de sonhos e “sonhos não envelhecem”. Os sonhos são como o sol; se renovam a cada dia. “E lá se vai mais um dia…”

E em meio a barricadas e canhões, uma pausa para o amor e… de repente a terra fica “azul da cor do seu vestido”. Uma pedrada, um tiro… “você ainda quer morar comigo?” Revolução social, revolução libidinal. Façamos a guerra e façamos amor. “Eu só preciso ter você por mais um dia”. E amanhã? O que é preciso fazer façamos aqui e agora, porque amanhã… “será que é tarde demais?” Se você me vir chorar, “não chore não… é só poesia”. E se você me vir morrer, “não chore não… é só a lua”. Sem medo de chorar, sem medo de morrer, sem medo de amar e enfrentar os fantasmas que nos rondam, pois “o medo de mar é o medo de ser livre para o que der e vier”. E que a força da nossa luta seja a força da nossa dança. Você vem? “Ainda gosto de dançar, bom dia, como vai você?”

Como vai você? Pra onde vai você? O que fizeram de você? O que você tem feito de você?

As músicas citadas no texto, Clube da esquina 2 e Um girassol da cor de seu cabelo, você ouve na seção música.

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01/11/2008 - Posted by | Uncategorized

4 Comentários »

  1. Em tempos difíceis como esses que vivemos, com guerras ideológicas, guerras financeiras, guerras religiosas, guerras de tráfico você vem incitar a fazer mais guerras? Paciência! Precisamos é de paz e não de guerra. Queria ver se você iria fazer esse tipo de apologia se fosse um filho seu que estivesse nas ruas tomando porrada. Esse boteco parace mais um lugar de sonhadores que não têm os pés no chão. Não se muda o mundo com palavras bonitas.

    Arthur

    Comentário por Arthur | 01/11/2008 | Responder

  2. Arthur,

    De fato os tempos são difíceis. Mas eles sempre foram difíceis. Desde o começo da humanidade os homens sempre enfrentaram dificuldades e lutaram para combatê-las. A guerra é tão antiga quanto à humanidade. As mudanças não surgem dos tratados de paz. Aliás, suspeito que a palavra paz tenha sido inventada para legitimar uma ordem estabelecida. Quando se deseja que as coisas permaneçam do jeito que estão é comum acusar os que se opõem de baderneiros, bagunceiros, ameaçadores da ordem, opositores da paz. É um dos mecanismos de poder classificar negativamente aqueles que pensam de forma diferente e lutam para que as coisas não sejam reduzidas a um único interesse.

    Sim, você tem razão; busca-se a paz das bolsas de valores, a paz do livre mercado, a paz entre as classes sociais desiguais. Paz, paz, paz. Mas como diz a canção, essa é “a paz que eu não quero conservar pra tentar ser feliz”.

    O filósofo Karl Jaspers dizia que “a filosofia é perturbadora da paz”. Talvez necessitemos um pouco mais de filosofia em nosso cotidiano para sairmos da mesmice e pensarmos na atualidade da luta. Paz pode ser sinônimo de conformismo e comodismo.

    Sim, caro Arthur, preferiria ver um filho meu envolvido politicamente do que vê-lo engolido pela massificação da mídia, pelo consumismo desenfreado e pela banalização da vida.

    E pra terminar. Se somos sonhadores é porque preferimos fazer alguma coisa do que ficarmos de braços cruzados.

    Bem… pelo menos você achou as palavras bonitas.

    Comentário por marciosales | 01/11/2008 | Responder

  3. Ação e reação
    O sonho é mecanismo que antecede a realização das idéias, é a concretização do desejo e “o desejo é a metade da vida; a indiferença é a metade da morte!” – Khalil Gibran.
    E,enquanto há vida, há esperança.Por isso, escolho a vida, escolho sonhar…

    Comentário por C.Martins | 02/11/2008 | Responder

  4. Quando se fala dessa rapaziada do Clube da esquina sempre se elogia a qualidade musical e as letras criativas. Não é tão comum essa interpretação política das letras. Achei bem curioso e interessante essa ligação. Parabnes pelo texto, pela iniciativa do blog e por abrir mais um espaço pra gente sonhar. Afinal, “os sonhos não envelhecem”.

    Comentário por Ney Mattos | 07/11/2008 | Responder


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