Sai do forno o “Labirinto do trágico”
É com imensa alegria que apresento aos frequentadores deste boteco, em primeira mão, o meu livro “Labirinto do trágico: Foucault e a experiência da loucura” (Rio de Janeiro: Achiamé, 2011).
O livro pode ser adquirido no site Estante Virtual:
http://www.estantevirtual.com.br/q/Labirinto-do-tragico
Ou diretamente com o autor (entrega a combinar):
Em breve, divulgarei as datas e locais de lançamento.
Seguem alguns trechos do livro e do belo prefácio da Vera Portocarrero:
“A linguagem da loucura possui seus próprios códigos que a lançam num silêncio absoluto, que significa a dissolução do sentido. Em outras palavras, trata-se de uma linguagem muda. O ser da linguagem se define pelo não-ser, ou seja, pela ausência, pelo vazio que o constitui”.
“É a expressão da loucura em seus valores trágicos que, devido a seu caráter subversivo, transgressivo e contestador, constitui uma estratégia de escape do poder exercido pela razão”.
“Foucault pensa numa linguagem que, ao invés de legitimar o saber, seja capaz de contestá-lo; uma linguagem que não seja a síntese dos contrários, mas que conserve os opostos e suas duplicidades; uma linguagem enfim vazia de sentido metafísico e que não seja outra coisa senão a repetição de si mesma. Repetir-se é projetar-se na multiplicidade dos sentidos e da diferença”.
“Pensar experiências é também experimentar. É ensaiar uma aproximação com o impensado que é o núcleo da experiência”.
“Este estudo sobre a experiência trágica da loucura como labirinto do trágico, que é uma experiência da linguagem, contribui para o esclarecimento e a proposta de um modo de pensar e de escrever no qual as palavras são concebidas como reverberações de vozes como as de Nietzsche, do sobrinho de Rameau, de Blanchot, de Bataille, de Sade, de Bosch, de Dom Quixote; vozes, como afirma o autor, que surgem dos arquivos, dos quadros, do imaginário, formando um aglomerado, uma orgia linguística, que não cria uma verdade, mas uma imagem, não a plenitude de um sentido oculto, mas aquilo que constitui a imagem mesma da linguagem, ou seja, seu vazio. A imagem desta polifonia seria a de uma espécie de nuvem multiforme que vai criando desenhos seriais, um a partir do outro.
Sem dúvida, este livro Márcio Sales não é para ser lido como uma análise das representações da loucura nem como mais um livro de história da filosofia onde o pensamento de Foucault ou o de Nietzsche aparecessem dissecados por um especialista de uma corrente filosófica ou de um autor. É, antes, um exercício de um movimento livre cuja pretensão é a de se constituir como mais uma voz dispersa na pluralidade desta polifonia a nós oferecida”. Vera Portocarrero
Labirinto do trágico
Neste mês de setembro sai o meu livro “Labirinto do trágico: Foucault e a experiência da loucura”.
É um livro que passeia por diversos temas: a loucura, a literatura, o trágico, a transgressão.
Diversos autores da minha predileção frequentam as sua páginas: Nietzsche, Bataille, Blanchot, Artaud, Sade, Diderot, Bosch, Deleuze e, principalmente, Foucault.
O livro é também uma homenagem aos 50 anos de “História da Loucura”, de Michel Foucault.
Em breve, informação sobre o lançamento.
Por enquanto, para tira-gosto, segue a capa do livro: CAPA_LABIRINTO (2)
Minha querida amiga Cida Donato fez um belíssimo poema sobre o livro que exponho aqui no boteco:
Márcio Sales
Labirinto trágico (Cida Donato)
Linguagem da loucura,
Linguagem a-louca.
Loucura em códigos próprios
No turbilhão dos estrondos de um silêncio absoluto.
Dissolução de Sentidos da linguagem muda. Falada.
Do ser-não-ser da linguagem na ausência da presença do vazio.
Expressão da loucura em valores trágicos.
Ethos subversivo!
Estética da transgressão.
Contestação do poder;
Contestação da síntese dos contrários…
Legitimação dos opostos em dupla duplicidades;
Linguagem vazia na repetição de si mesma.
Estratégia de escape
do poder exercido pela razão.
Experiências de experimentar.
Aproximação do impensado.
Palavras-conceito soltas em piruetas,
Em páginas em branco,
Se mostrando, se escondendo, se desdobrando em múltiplos sentidos.
Jogo lúdico e traiçoeiro
Sem regras, nas regras das decifrações próprias!
Louca lógica de um labirinto sem lógica; alógico…
Das várias entradas, diversos percursos e múltiplas saídas.
Vazio.
Abertura imprevisível de uma loucura cheia de possibilidades;
De uma loucura cheia da multiplicidade dos sentidos e da diferença…
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