De Chico
Na última sexta-feira, 19 de junho, Chico Burque completou 65 anos. Como não podia deixar de ser, é festa no boteco. Para homenageá-lo fiz uma brincadeira a partir das suas músicas.

Estava à toa na vida, curtindo um amor barato, ouvindo um choro bandido, quando, de repente, ele chegou tão diferente do seu jeito de sempre chegar. Parei, pensei: tô tendo um pesadelo agora. Mas amanhã vai ser outro dia.
_ O que será que me dá? Quem é você?
_ Te perdôo, por fazeres mil perguntas. Mas não fiques assim: vai passar! Quanto ao amanhã, ninguém sabe. Pra mim basta um dia.
_ Pelo amor de Deus. Tenho cá pra mim que você vai me seguir.
_ Meu caro amigo! Tem dias que a gente se sente à flor da pele. E aí a gente vai levando, de todas as maneiras. Até que descobre que nunca é tarde, nunca é demais. Mas ouças… Ouças um bom conselho. Não é por estar na tua presença, mas eu conheço os passos dessa estrada. Ela desatinou.
_ Carolina?! Deixei a fatia mais doce da vida.
E agora? Sim, vai e diz. Arrasa de vez o meu projeto de vida.
_ Bem, agora? Vamos botar água no feijão.
_ Sei que está em festa, porque não é contigo.
_ É brincadeira. Agora falando sério. Quando olhastes bem nos olhos seus, o seu olhar era de adeus.
_ Mas o nosso amor era tão bom. O horário é que nunca combinava.
_ Pois é. Tenho que dizer: tu tens o amor que merece.
_ Como? Ah, Carolina! Gozei de boa vida. Eu era herói. Vivia a te buscar; fazia samba e amor até mais tarde… e, de repente, eu te vejo sumir por aí.
_ Não te afobes não. Mire-se no exemplo da morena dos olhos d`água.
_ Que morena?
_ A morena de Angola.
_ Choro, choro sim. Até ficar com dó de mim.
_ Não chores ainda não. Mesmo sendo errados os amantes seus amores serão bons.
_ De que me serve um amor de lembrança? Eu que lhe dei meu corpo, com açúcar e com afeto.
_ Mas tu dizias que ela fazia todo dia tudo sempre igual.
_ Mas meu corpo é testemunha do bem que ela me faz. Oh, pedaço de mim! Afasta de mim este cálice.
_ Vai meu irmão. Ergues esta cabeça. Acorda, acorda, acorda…
Fazes o seguinte: fica o dito por não dito.
_ Mas é tanta saudade! E se eu pudesse entrar na sua vida…
_ Cara, não tem jeito. Hoje o samba caiu. De tudo que é nego torto ela já foi namorada.
_ Já que é assim. Agora eu vou até o fim. Ninguém vai me segurar.
_ Como assim? Enlouquecestes?
_ É isso mesmo. Trocando em miúdos: já que minha cabeça está pelas tabelas, vou perder a noção da hora.
_ Calma, meu guri.
_ Calma nada. A novidade que tem no brejo da cruz… é pra lá que eu vou.
_ Tu precisas te acalmar.
_ Preciso não dormir.
… e saiu feito louco, fazendo hora, fazendo fila na vila do meio-dia. Pra ver Maria.
_ Oi coração.
_ Se acaso me quiseres, quero ficar no teu corpo feito tatuagem.
_ Então vem, meu menino vadio.
(…)
E amaram um amor proibido.
_ Já lhe dei meu corpo.
_ Deus lhe pague.
Hoje sonhei contigo e fiz um samba em homenagem.
6 Comentários »
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merecida homenagem a esse grande artesão da música Brasileira.
adorei!!
Comment por Fabíola Duque Cesar | 29/06/2009 |
Merecidíssima mesmo Fabíola. Bjs
Comment por marciosales | 01/07/2009 |
Você sempre muito criativo.
Aaah meu querido Francisco, rs
Que Deus conserve na Terra
Beijos prof.
ps: ainda lembra dessa aluna cabeluda que vos fala (quer dizer digita)?
Comment por Marina Gomes | 01/07/2009 |
Querida Marina! Que saudade! Por onde andas? Beijos
Comment por marciosales | 01/07/2009 |
espetacular meu velho..
Comment por marcelao | 11/10/2009 |
Belo!!!!!!!!!!!!!!
Vc,como um mágico artesão do saber, recriou a obra de Chico de modo lúdico.
Parabéns!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Comment por Beto | 10/11/2009 |