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O palco da Vila

noel-x-batista

Mas não se chama um sambista malandro de “rapaz folgado” achando que vai sair impune. Wilson subiu nas tamancas e disparou um samba à queima-roupa:

Mocinho da Vila (Wilson Batista)

Você, que é mocinho da Vila,
Fala muito em violão,
Barracão e outros fricotes mais.
Se não quiser perder o nome,
Cuide do seu microfone,
E deixe quem é malandro em paz.
Injusto é seu comentário,
Fala de malandro quem é otário,
Mas falando não se faz.
Eu, de lenço no pescoço,
Desacato
E também tenho o meu cartaz.

O samba foi considerado fraco por Noel, que resolveu dar uma resposta num tom que é um misto de indiferença e de exaltação de si mesmo e da sua querida Vila Isabel. Foi uma resposta de imediato, no mesmo ano de 1934. Feitiço da Vila logo se transformou em um grande clássico.

Feitiço da Vila (Noel Rosa – Oswaldo Gogliano [Vadico])

Quem nasce lá na Vila
Nem sequer vacila
Ao abraçar o samba
Que faz dançar os galhos
Do arvoredo
E faz a lua nascer mais cedo!

Lá em Vila Isabel
Quem é bacharel
Não tem medo de bamba
São Paulo dá café,
Minas dá leite
E a Vila Isabel dá samba!

A Vila tem um feitiço sem farofa
Sem vela e sem vintém
Que nos faz bem…
Tendo nome de Princesa
Transformou o samba
Num feitiço decente
Que prende a gente…

O sol da Vila é triste
Samba não assiste
Porque a gente implora:
Sol, pelo amor de Deus,
Não venha agora
Que as morenas vão logo embora!

Eu sei por onde passo
Sei tudo que faço
Paixão não me aniquila…
Mas tenho que dizer:
Modéstia à parte,
Meus senhores, eu sou da Vila!

Quem nasce pra sambar
Chora pra mamar
Em ritmo de samba.
Eu já saí de casa olhando a lua
E até hoje estou na rua.
A zona mais tranqüila
É a nossa Vila
O berço dos folgados;
Não há um cadeado no portão
Porque na Vila não há ladrão.

Sinta o Feitiço da Vila na interpretação de João Gilberto na seção música.

03/06/2009 - Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

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