O samba pede passagem
“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”, já dizia Dorival Caymmi. É por essas e outras que o boteco entra na cadência do samba e, com o batuque na mesa, relembra algumas história memoráveis do universo sambista. E pra começar nada menos que ele – Noel Rosa, o filósofo do samba. Noel fazia da filosofia, juntamente com a boemia, é claro, o seu remédio, o seu antídoto, o seu ar puro contra a feia fumaça que sobe, apagando as estrelas. O poeta da vila fazia samba pelo samba, pela necessidade do samba, pela alegria que nele há. E assim seguia indiferente aos interesses da aristocracia. Sambando, fingindo, às vezes fugindo, mas sem hipocrisia.

Filosofia (Noel Rosa)
O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia
Na seção música você ouve a Filosofia na belíssima interpretação de Paulinho da Viola.
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