No boteco

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“Tem mais samba no encontro que na espera”

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E foi um encontro formidável que marcou uma das maiores “polêmicas” da música popular brasileira. O encontro musical de Noel Rosa e Wilson Batista. Recém chegado de Campos, Wilson se encantou com a vida boêmia da Lapa, no final dos anos 20. Noel, natural de Vila Isabel, já era um artista consagrado quando Wilson apareceu no pedaço. Mas Wilson chegou abafando e querendo conquistar o seu espaço. Logo de cara emplacou seu primeiro samba Na estrada da vida (1929). Mas foi em 1933 que a polêmica começou com Lenço no pescoço.

Lenço no pescoço (Wilson Batista)

Meu chapéu do lado
Tamanco arrastando
Lenço no pescoço
Navalha no bolso
Eu passo gingando
Provoco e desafio
Eu tenho orgulho
Em ser tão vadio

Sei que eles falam
Deste meu proceder
Eu vejo quem trabalha
Andar no miserê
Eu sou vadio
Porque tive inclinação
Eu me lembro, era criança
Tirava samba-canção
Comigo não
Eu quero ver quem tem razão

E eles tocam
E você canta
E eu não dou

Não tardou para Noel, incomodado com a postura do malandro aprendiz, responder em alto e bom som com Rapaz folgado.

Rapaz Folgado (Noel Rosa)

Deixa de arrastar o teu tamanco
Pois tamanco nunca foi sandália
E tira do pescoço o lenço branco
Compra sapato e gravata
Joga fora esta navalha que te atrapalha

Com chapéu do lado deste rata
Da polícia quero que escapes
Fazendo um samba-canção
Já te dei papel e lápis
Arranja um amor e um violão

Malandro é palavra derrotista
Que só serve pra tirar
Todo o valor do sambista
Proponho ao povo civilizado
Não te chamar de malandro
E sim de rapaz folgado

Mas seria Noel contra a malandragem que ele mesmo tanto cantou em seus sambas? Dizem as más línguas que na verdade a intriga começou por causa de uma moça, freqüentadora da Lapa, que ambos gracejavam, mas que Wilson acabou levando vantagem. Aliás, este era o cartaz que Wilson precisava; pois, afinal, “brigar” com Noel era uma ótima chance para ficar famoso.

Mas a polêmica não acaba por aí. Haverá a tréplica de Wilson Batista.

23/05/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

O samba pede passagem

“Quem não gosta de samba, bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”, já dizia Dorival Caymmi. É por essas e outras que o boteco entra na cadência do samba e, com o batuque na mesa, relembra algumas história memoráveis do universo sambista. E pra começar nada menos que ele – Noel Rosa, o filósofo do samba. Noel fazia da filosofia, juntamente com a boemia, é claro, o seu remédio, o seu antídoto, o seu ar puro contra a feia fumaça que sobe, apagando as estrelas. O poeta da vila fazia samba pelo samba, pela necessidade do samba, pela alegria que nele há. E assim seguia indiferente aos interesses da aristocracia. Sambando, fingindo, às vezes fugindo, mas sem hipocrisia.

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Filosofia (Noel Rosa)

O mundo me condena, e ninguém tem pena
Falando sempre mal do meu nome
Deixando de saber se eu vou morrer de sede
Ou se vou morrer de fome
Mas a filosofia hoje me auxilia
A viver indiferente assim
Nesta prontidão sem fim
Vou fingindo que sou rico
Pra ninguém zombar de mim
Não me incomodo que você me diga
Que a sociedade é minha inimiga
Pois cantando neste mundo
Vivo escravo do meu samba, muito embora vagabundo
Quanto a você da aristocracia
Que tem dinheiro, mas não compra alegria
Há de viver eternamente sendo escrava dessa gente
Que cultiva hipocrisia

Na seção música você ouve a Filosofia na belíssima interpretação de Paulinho da Viola.

21/05/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Invasão bárbara em Caxias

E por falar em bar, bárbaros, música, bebida, poesia, os Bárbaros do Blues estarão tocando e sacudindo a noite no próximo sábado, dia 16/05, a partir das 20h, em Caxias, no Bar Lacraias Moto Club, que fica na Rodovia Rio-Petrópolis (Washington Luís, sentido Rio), logo depois da Casa do Alemão).

Você que é freqüentador do boteco não pode perder esta oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente e curtirmos um bom papo e uma boa música… muito rock´n roll!!!

12/05/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Saudades Zé

simpsons

Que bom te ver por aqui e encontrar tua bela poesia. Dançante, vadia, cheia de samba-canção. Saudades de todos vocês e dos nossos papos intermináveis… amizades sem preço que carrego comigo. E as crônicas, Zé? Manda outras pra cá. Qualquer dia desses vou encarar a serra e bater por aí. Se vier pras bandas daqui não se esquece de avisar. Tem sempre algo acontecendo. Um dia desses parou em minhas mãos as Recordações da Casa dos Mortos. Me lembrei de você. Ri à beça. Chove neste momento e o cheiro da chuva correndo me lembra o rio que corta a cidade. O barulho das águas parece um blues. A filosofia me acompanha. Até à próxima…

Olha só a nova invenção!

marido-roupa

07/05/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda