“Navegar é preciso, viver não é preciso”
Os navegadores portugueses assimilaram a grandeza desta expressão na marra. Ávidos pelo novo e pelas suas riquezas fizeram-se senhores dos oceanos. Quantas viagens perdidas para se chegar à conclusão de que navegar exige precisão? Calcular a distância a ser percorrida, o tempo e os alimentos necessários, a direção do vento, a potência das velas, a quantidade de tripulação, tudo isso era indispensável para se chegar onde queria.

Mas ainda que tudo estivesse planejado, calculado, devidamente ajustado, ainda restava outra certeza: viver não é preciso. Se a arte da navegação requer precisão, a arte de viver é diferente. A vida é cheia de imprevistos, circunstâncias inesperadas, casos fortuitos. Viver é uma bruta incerteza em que nada garante o dia de amanhã. Viver é um lance de dados.
O passado não nos pertence mais, o futuro ainda não chegou; só nos resta o presente. A única maneira de interferir na própria existência é no aqui e agora. O hoje é o terreno da vida a ser cultivado.
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