No boteco

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Filme de cabeceira

Para os amantes da sétima arte um filme vale pela marca que ele é capaz de imprimir em seus espectadores. Tanto pela sua história como também pela sua estética. O homem-elefante, de David Lynch, marca pelos dois aspectos. Um filme de 1980, filmado em preto e branco, com atuações geniais e um roteiro impressionante. O filme nos remete ao problema da anormalidade. De que modo uma pessoa com características físicas diferenciadas pode ser considerada anormal, a ponto de desprezada, apesar de ser capaz de pensar, agir e sentir como qualquer outro ser humano? A classificação do anormal quase sempre vem acompanhada da tentativa de inferiorizar o que é diferente. Se é anormal deve ser combatido e eliminado… ou, como é mostrado no filme, explorado a partir de determinados interesses. Um filme e tanto!!!

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Sinopse:

A história de John Merrick (John Hurt), um desafortunado cidadão da Inglaterra vitoriana que era portador do caso mais grave de neurofibromatose múltipla registrado, tendo 90% do seu corpo deformado. Esta situação tendia fazer com que ele passasse toda a sua existência se exibindo em circos de variedades como um monstro. Inicialmente era considerado um débil mental pela sua dificuldade de falar, até que um médico, Frederick Treves (Anthony Hopkins), o descobriu e o levou para um hospital. Lá Merrick se liberou emocionalmente e intelectualmente, além de se mostrar uma pessoa sensível ao extremo, que conseguiu recuperar sua dignidade.

Imagens do filme e algumas curiosidades você encontra na seção cinema.

25/03/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Banquete de signos

Aproveitando este clima psicodélico, no boteco espalha sobre suas mesas quatro cabeças que revolucionaram o cenário musical brasileiro no início da década de 70 – João Ricardo, Gerson Conrad, Marcelo Frias e Ney Matogrosso. Estou falando dos Secos & molhados. Irreverente, teatral e altamente criativo o grupo durou pouco com essa formação clássica; mas suas canções permanecem como obras-primas que merecem sempre ser revisitadas.

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Na seção música algumas imagens dos Secos & molhados.

18/03/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Interzona

O grupo Interzona junta arte e filosofia e faz uma série de experimentações sonoras e visuais explorando os labirintos da expressão. No boteco embarca nesta viagem e lhe “rouba” alguns fragmentos:

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Sensório motor

Tudo se reduz ao tato. O tato dos olhos: a visão. O tato da língua: o paladar. O tato dos ouvidos: a audição. O tato das narinas: o olfato. O tato é o sentido supremo sem o qual seríamos um corpo sem tino. É o tato que nos põe em contato com o mundo. Ele envolve todos os sentidos. E foi apenas por meio da Razão, que tudo discerne, que o corpo foi dividido em cinco. A razão foi alçada, após um embate ancestral, ao posto central de comando. Mas ela não passa de um escravo que triunfou sobre todo o corpo, o seu senhor.

Na seção vídeo, a performance de Corpo sem Órgãos com o grupo Interzona.

13/03/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | 1 Comentário

A arte do roubo

O texto a seguir é uma “sala de entrada” para a série de imagens, sons e experimentações do grupo interzona que será exposta aqui no boteco.

“Uma preparação bem longa, mas nada de métodos, de regras ou receitas. Núpcias, e não casais nem conjugalidade. Ter um saco onde coloco tudo o que encontro, com a condição que me coloquem também em um saco. Achar, encontrar, roubar, ao invés de regular, reconhecer e julgar. pois reconhecer é o contrário do encontro. Julgar é a profissão de muita gente e não é uma boa profissão, mas é também o uso que muitos fazem da escritura. Antes ser um varredor do que um juiz. (…) A justiça, a justeza são idéias ruins. A elas, opor a fórmula de Godard: não uma imagem justa, apenas uma imagem. É a mesma coisa em filosofia, em um filme ou em uma canção. nada de idéias justas, apenas idéias. Apenas idéias, é o encontro, o devir, o roubo e as núpcias, esse “entre-dois” das solidões. Quando Godard diz: gostaria de ser um escritório de produção, é claro que não quer dizer: quero produzir meus próprios filmes, ou quero editar meus próprios livros. Ele quer dizer apenas idéias, pois, quando se chega a esse ponto, se está sozinho, mas se é também como uma associação de malfeitores. Não se é mais um autor, mas um escritório de produção; nunca se esteve mais povoado. Ser um “bando”: os bandos vivem os piores perigos, reformar os juízes, tribunais, escolas, famílias e conjugalidades. Mas o que há de bom em um bando, em princípio, é que cada um cuida de seu próprio negócio encontrando ao mesmo tempo os outros; cada um tira seu proveito, e que um devir se delineia, um bloco, que já não é de ninguém, mas está “entre” todo mundo, se põe em movimento como um barquinho que crianças largam e perdem e que outros roubam.”

Gilles Deleuze

11/03/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Memória da Ladeira

ladmemoriaEssa coisa dos encontros é mesmo impressionante. No início da década de 80 uma música belíssima que tocava nas rádios ficou na minha memória. Não tem muita explicação. A letra a sonoridade a voz. Tudo me envolvia de uma forma deliciosa. Parece que a música me remetia a uma paisagem que não era a minha, visto que falava da cidade de São Paulo, mas que eu me reconhecia nela. Desenhava-se para mim uma imagem familiar: as pessoas nas ruas vagando, a chuva que caia e o humor das pessoas que mudava com a mudança do tempo. Mas, de repente, ela parou de tocar e se perdeu na poeira do tempo. Não sabia o nome da música, quem cantava, nem quem a compôs. Passados esses anos todos (uns 25), com o fenômeno do acha-tudo na internet, pintou a curiosidade. Será que eu a encontro? Digitei um trecho e lá estava ela. Letra, música, imagem, tudo que tem de direito. Foi como encontrar um grande amigo que eu não via há muito tempo. Abracei-a novamente e não canso de ouvi-la. Agora ela está alojada na ladeira da minha memória. Você encontra o clipe de Ladeira da Memória na seção música.

07/03/2009 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda