No boteco

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Você conhece o Mário?

Não, não é nenhuma piadinha. É que hoje caiu em minhas mãos, feito um anjo que cai do céu – anjo caído feito pedra-, um poema de Mário Quintana que soou como um concerto de Jazz. Tá lá na seção poesia.

12/11/2008 Publicado por marciosales | Uncategorized | | Sem comentários ainda

Ainda sobre a guerra

A guerra de que falo não é a guerra alimentada pela cobiça, pela inveja, pelo desejo de destruir o outro para ter o que lhe pertence. Essa é a guerra dos fracos, dos ressentidos que lutam por um território, daqueles que têm sede de poder.

A guerra de que trato é de outro tipo. É a guerra que resiste às formas de dominação, de autoritarismo, de controle. Ela busca a afirmação da diferença, a criação do novo, a expressão da liberdade. É guerra porque para se deslocar é preciso romper, rasgar, partir as velhas formas que enfraquecem a existência. Mas se ela demarca uma distância é devido à potência que lança para uma nova direção, para o que está em vias de se formar.

Aliás, em muitos casos, essa guerra nem sequer é contra o outro. Muitas vezes ela é contra nós mesmos. É preciso primeiro vencer as idéias calcificadas que nos prendem a um único ponto de vista ou a verdades já legitimadas por uma forma dominante.

A guerra é, pois, uma condição necessária para que as coisas não permaneçam sempre do jeito que estão e para que novas experiências afirmadoras da vida se tornem possíveis.

E, nesse caso, não há como separar pensamento, linguagem e ação – tudo vira um campo de batalha.

03/11/2008 Publicado por marciosales | Uncategorized | | 5 Comentários

Os clubes das esquinas

Participando de alguns debates acerca dos acontecimentos que marcaram o ano de 1968, 40 anos depois fiquei pensando na força que impulsionou aquelas pessoas a saírem para as ruas “em meio a tantos gases lacrimogêneos”. Havia um desejo de lutar pelos seus ideais, havia uma sede de mudança, havia um sonho de que as coisas pudessem caminhar com outras pernas. E o vento foi varrendo os corações e carregando as multidões para as manifestações. “Viagem de ventania”!!! E foram em frente, seguindo a cada passo, contando cada compasso, resistindo a cada dia, posto “que a chama não tem pavio”. Ela não se apaga porque é feita de sonhos e “sonhos não envelhecem”. Os sonhos são como o sol; se renovam a cada dia. “E lá se vai mais um dia…”

E em meio a barricadas e canhões, uma pausa para o amor e… de repente a terra fica “azul da cor do seu vestido”. Uma pedrada, um tiro… “você ainda quer morar comigo?” Revolução social, revolução libidinal. Façamos a guerra e façamos amor. “Eu só preciso ter você por mais um dia”. E amanhã? O que é preciso fazer façamos aqui e agora, porque amanhã… “será que é tarde demais?” Se você me vir chorar, “não chore não… é só poesia”. E se você me vir morrer, “não chore não… é só a lua”. Sem medo de chorar, sem medo de morrer, sem medo de amar e enfrentar os fantasmas que nos rondam, pois “o medo de mar é o medo de ser livre para o que der e vier”. E que a força da nossa luta seja a força da nossa dança. Você vem? “Ainda gosto de dançar, bom dia, como vai você?”

Como vai você? Pra onde vai você? O que fizeram de você? O que você tem feito de você?

As músicas citadas no texto, Clube da esquina 2 e Um girassol da cor de seu cabelo, você ouve na seção música.

01/11/2008 Publicado por marciosales | Uncategorized | | 4 Comentários